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5.5.09

Guerra

De um lado, erguiam suas armas e esperavam. Do outro, gritavam e preparavam a investida a qualquer momento. O suor, o batimento acelerado, o conflito e a tensão estavam sólidos. A guerra começou. Iam uns de um lado, continham-nos os do outro. O equilíbrio gerava a espera, que gerava ação e que se desequilibrava em segundos. Ia-se de um lado, continha-se do outro, alternando forças e vencedores. Findou-se a guerra, no que o rapaz largou o telefone: não ligou. De qualquer modo, vencera a solidão.

29.4.09

Laranja

Bebia seu suco medindo o tempo da espera, com pouca paciência e muito método. A mesinha na calçada, a plaqueta do café. Ácido seria o momento quando ele chegasse, e ela lhe diria: "eu não o amo mais, adeus".  O fim de tarde coloria seu vestido, contrastando com a sombra que pairava sobre si. Quando o homem da esquina acelerou o passo a seu encontro, o coração acompanhou.  O copo e a coragem chegavam agora à metade. Quando doce ele sorriu, ela hesitou. No último gole, o gosto da laranja era amor.

s2 Ainda do Doppel

28.4.09

Sete

Depois da 7ª, nada mais importava. Em pensamento, fazia chover distâncias entre o que vivera e o que desejara. Quem antes fora? As lembranças faziam ferver a vontade de a ver mais uma vez. Dissera o que não devia, fizera o que não queria. Agora, que arcasse com as conseqüências. Imbecil! A chance se foi, o fato se fez: ela não o ama. Não o ama! Em cada segundo que seguisse em sua existência fácil, far-se-ia saber: sete vidas levaram para que houvesse, de fato, um fim. Enforcou-se em setembro. Trovejava. 


Do melhor projeto de escrita que eu já participei. Eu e o Bruno escolhíamos temas (geralmente uma palavra sem significado absoluto), desenvolvíamos em 500 caracteres e trocávamos. O Doppel Projekt durou umas duas dezenas de pares de textos. Deixou saudades. Em mim, pelo menos.