13.8.09

Coadjuvantes

Se repararmos agora nos pés da nossa protagonista, veremos que o direito se esconde atrás do esquerdo, enquanto repousa o queixo à mão. É que ela esperava e achava graça, e das graças que guarda esperar, a maior bem seja a sensação de que não vem. O que está hoje lhe é tão essencial que é como se nunca fosse embora e ali sempre estivesse estado. Por mais que ache que não vem, virá. E o que está, vai embora. E ainda que queira que perdure, à protagonista não cabe produzir as vontades alheias de ir e ficar. Nos pensamentos acima do queixo acima da mão acima do cotovelo que se sustenta na mesa em que tudo acontece, ela sabe dizer de algum destino incontrolável. Espera e teme a grande troca, enquanto inventa um jeito de fazer algumas coisas ficarem. Ainda que outras precisem nunca vir.


I'm not quite sure what I'm supposed to do. Do do do... do do do oh oh.

10.8.09

Cranberries

I have decided to leave you forever, I have decided to start things from here. Thunder and lightning won't change what I'm feeling. And the daffodils look lovely today.

5.8.09

Fan Fiction Live Action

Funciona assim. Você é um personagem nesse mundo, com direito a perícias, recursos, contatos, e etc, etc, etc. E temos essa vida, em bilhões de mapas, com itens e NPCs. Às vezes perdemos o controles dos nossos personagens, e aí que os nossos fãs (!) resolvem tomar o controle das nossas histórias e inventam coisas absurdas para dar continuidade ao enredo.

Aquelas frases que você nunca diria, os lugares que você nunca iria, todas as coincidências que você simplesmente não acredita que possam ser reais, as coisas que você não faria (por incapacidade, inabilidade ou franguice mesmo), entre outros.

É um jeito que a vida inventou pra dizer que nem tudo precisa ser do jeito que deveria ser.

1.8.09

Cravo e Garoa

As ruas de São Paulo têm cheiro de Gudan. Por aqui, se anda em linha reta, com o vento frio cortando o corpo quente, cruzando o passo com pessoas que só se olham pra pedir fogo, pedir fumo. A cidade toda parece fumar, e os prédios são cinzas de todos os tons, todas as variações de frio. São Paulo é úmida, as paredes e janelas parecem chorar pela falta de cor, pelo sufoco desesperado dessas pessoas presas dentro de si, fascinantes desconhecidos que me fazem temer perguntar as horas.

A cidade não é minha, mas eu não me sinto intrusa ou turista. As ruas parecem aceitar que eu seja de fora, porque aqui em São Paulo todo mundo é de fora. É de fora do outro, é de fora de qualquer tipo de padrão que possa existir. As pessoas só são. São nada. E eu continuo pegando meu metrô, calada, quase cinza, encapotada, quente e fria, cansada, vazia e realizada.

O vento quente de São Paulo é o do corredor do metrô. Quando o trem passa e move a massa de ar que levantava minhas saias em 2004 e bagunça meus cabelos até hoje. Um caso de 5 anos, uma história mal resolvida, e falta lugar porque lugar me sobra.

E eu, camuflada de paulistana, calada, quase cinza, vivendo meus caminhos. Não se olha pro lado, não se fecham os olhos. O cheiro forte invade qualquer pensamento sobre a desproporção dos prédios e das faixas da avenida, os carros são formiga e nós não somos nada. As pessoas são nada às seis da tarde. São volume, são barulhos, são movimento e só. Mais pessoas que cheiram a cravo e emanam algum calor e fumaça no meio do gelo e do silêncio que haveria se elas não houvesse. Mas há.

As ruas de São Paulo têm cheiro de Gudan.

25.7.09

Protocolos sociais (não-)obrigatórios

Convivo diariamente com homossexuais, adoro ver ações como as da Deborah Duprat mandando todos os homofóbicos do MPF e do STF calarem suas ignorâncias e acho bem divertido ver como os intermediários são excluídos daquelas cadeias de fulano pegou fulano que pegou fulano (que também rola no mundo hetero, só que com os intermediários, havendo exceção quando participam bissexuais).

Mas nada, nada, nada é tão legal no mundo homossexual quanto a quebra de protocolos sociais estúpidos que os heteros resolveram inventar. Explico.

O cara conhece a mulher. Chama ela pra sair. Ela tem que fazer algum doce, porque senão ele vai achar que ela é fácil. Ele vai ter que insistir, senão ela vai achar que ele não quer o suficiente. Eles vão, eventualmente, chegar a um acordo e resolverem se encontrar num lugar público. Ela vai escolher uma roupa adequada, que não seja muito beatificante nem que seja muito vadia. Ele vai ter que colocar um blazer por cima da roupa, se quiser causar alguma impressão positiva.

As pessoas da história ainda nem se encontraram, e já estão fazendo pressuposições ABSURDAS sobre o que o outro vai achar, o que o outro vai pensar. E o pior? É que essas regras tendem a se generalizar para mulheres-que-ligam-no-dia-seguinte-querem-se-casar-com-você ou homens-que-não-ligam-no-dia-seguinte-só-querem-se-aproveitar-do-seu-corpo.

Vocês entendem o absurdo? Ainda que ALGUMA MULHER NO UNIVERSO que ligue no dia seguinte queira, de fato, contrair matrimônio, e que o cara que não ligar no dia seguinte queira só a parte sexual do relacionamento a dois, QUEM CACETARALHOS é você, ser do outro sexo, pra dizer que seu/sua parceiro/a quer uma coisa ou outra que é supostamente específica e inerente à sua condição GENÉTICA no par 23?

O que eu quero dizer é que,
se você está com alguém do mesmo sexo, isso vai contribuir direta e drasticamente para que você não fique fazendo teorias malucas acerca do suposto comportamento de gênero do seu parceiro sexual, ditado por qualquer protocolo social que seu meio de convivência possa sugerir. Porque, invariavelmente, qualquer coisa que você deduza e que seja geral, vai resultar em alguma forma de declaração pessoal da sua parte (eu ia falar em confissão, entrega e tal, mas deixa declaração que tá bonito). Dessa forma, é possível presumir menos bobagens e analisar os fatos como o que eles são: fatos.

Em resumo: parem de presumir e tentar adivinhar, seus HETEROS LOUCOS.

24.7.09

Autotrophs began to drool

Sério. O pessoal do bar do lado de casa não sabe que essa música ao vivo é péssima? Na verdade, o bar fica do outro lado da avenida, a uns 300m, mas eu moro no décimo sexto andar e por motivos de leis da física o som magicamente aparenta estar dentro do meu quarto. O que definitivamente não significa melhora alguma no desempenho do infeliz contratado para isso que ele chama de "cantar".

Fora isso, na minha tentativa de me distrair na sexta à noite, tive a não tão brilhante ideia de pintar minhas unhas. O problema é que já são quase meia-noite e eu precisei passar aqueles óleos secantes, o que culminou em um teclado melecado que eu limpo de 3 em 3 segundos com um algodão enquanto tento narrar o fato aqui.

Dando sequência às desgraças, vamos falar do paradoxo de sentimentos de quando um colega vai lamentar sua ausência em um evento social e diz "poxa, que pena que você não foi, só faltou você lá!". Como se, de alguma forma, eu tivesse a remota capacidade de voltar no tempo e estar presente ao evento em que, aparentemente, várias pessoas cuja companhia eu adoraria ter estavam se divertindo - sem mim.

Fora isso, temos meus pais saindo para jantar - sem mim - e perguntando incessantemente se eu já fiz minhas nebulizações diárias; meus hábitos alimentares constituídos praticamente de suco de soja desde o ataque de febre na terça-feira; e minha superinformação acerca de todos os eventos sociais de sexta à noite (inclusive os que eu detestaria ir devido a presença de pessoas desprezíveis), estando eu convidada a comparecer OU NÃO. Quer dizer.

E, se quisermos ir além, é uma sexta-feira à noite e nenhuma das minhas companhias desejadas para o MEU IMAGINÁRIO do que seria minha sexta-feira do dia 24 de julho de 2009 está online. Elas provavelmente estão em algum restaurante, bar, boate, parque, casa de amigos, ou qualquer outro estabelecimento gravemente mais divertido do que meu quarto - com o agravante de estarem todas em São Paulo.

Sem mais, eu vou ver o Season Finale da s02 de The Big Bang Theory. Que é o mais próximo que eu consigo chamar de FELICIDADE no dia de hoje.

22.7.09

Tá tudo bem agora.

Hahaha. Ontem passei o dia delirando nos 40 graus de febre que surgiram DO NADA. Sem gripe, sem dor de garganta, nada. Só febre e sono. Daí a febre baixava e eu acordava encharcada, tomava banho, a febre subia, a febre baixava, eu acordava encharcada... Trocar lençol de cama 3x em 24h.

A merda disso, além da doença ser uma merda em si, é que minha viagem pra SP foi adiada. Mas eu vou, assim que ficar melhor e puder correr atrás das minhas coisas a fazer...